Depósitos em dinheiro que o SAT controla
No início de fevereiro de 2026, correntistas de grandes instituições financeiras, como BBVA México, Banamex e Banco Azteca, precisam ter cautela com a forma como movimentam dinheiro em espécie em suas contas.
Receber dinheiro em espécie não é crime. Porém, receber valores altos sem justificativa fiscal adequada pode colocar o contribuinte sob a mira do Servicio de Administración Tributaria (SAT), a autoridade fiscal mexicana.
Há uma regra em vigor que obriga todos os bancos a reportar determinados movimentos mensais. Isso abre espaço para revisões fiscais automáticas e possíveis auditorias para quem não mantiver suas contas e declarações em ordem.
O limite de 15 mil pesos por mês
O sistema de vigilância é automático e baseado em números. Os bancos são obrigados por lei a informar ao SAT quando um cliente acumula mais de 15 mil pesos por mês em depósitos em dinheiro.
Esse limite não se refere a uma única operação, mas sim à soma de todos os depósitos em cédulas e moedas feitos em todas as contas que a mesma pessoa possui no mesmo banco durante o mês-calendário.
Exemplo: se uma pessoa deposita 8 mil pesos na conta-salário e, alguns dias depois, coloca mais 8 mil pesos na conta-poupança do mesmo banco, o sistema enxerga um total de 16 mil pesos em depósitos em espécie. Ao ultrapassar o limite de 15 mil, o banco envia automaticamente um relatório ao SAT.
O que é “discrepância fiscal” para o SAT
Quando o SAT recebe essa comunicação do banco, cruza os dados com as declarações mensais ou anuais do contribuinte. O problema surge se os valores depositados em espécie não batem com os rendimentos oficialmente declarados.
Se a autoridade percebe que a pessoa gasta ou deposita mais do que afirma ganhar, caracteriza-se a chamada discrepância fiscal.
As consequências podem ser caras:
- O SAT pode considerar que esses depósitos são rendimentos não declarados
- Pode exigir o pagamento do Impuesto Sobre la Renta (ISR) sobre a diferença não justificada
- As alíquotas podem chegar a até 35% do valor sem explicação, além de possíveis multas e juros
- O contribuinte pode ser alvo de auditorias e fiscalizações mais rígidas
Muitos usuários se confundem e acreditam que existe um “imposto por depositar dinheiro”. O SAT já esclareceu várias vezes que não há um tributo específico apenas por fazer depósitos em espécie. O antigo Impuesto a los Depósitos en Efectivo (IDE) foi extinto há anos e não será reativado em 2026.
O que continua em vigor é o mecanismo de controle: a obrigação dos bancos de reportar operações relevantes para combater a informalidade e a evasão fiscal.
Quando o SAT pode congelar uma conta bancária em março de 2026
O bloqueio de contas é uma medida extrema, mas pode ser aplicada em diferentes situações ligadas ao descumprimento de obrigações fiscais. Entre os casos em que o SAT pode congelar uma conta bancária estão:
- Falta de pagamento de impostos nos prazos estabelecidos
- Omissão na entrega de declarações fiscais, sejam anuais ou mensais
- Existência de créditos fiscais firmes (dívidas tributárias que já não podem mais ser contestadas)
- Não atendimento a requerimentos e notificações do SAT, como pedidos de informações ou documentos
Manter as declarações em dia, justificar adequadamente a origem de depósitos em espécie e responder às notificações da autoridade fiscal é essencial para evitar relatórios automáticos, discrepâncias fiscais e, em situações mais graves, o congelamento de contas em bancos como Banco Azteca, BBVA México, Banamex, Santander e outros.





